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Revisão da NBR 15575 – a norma de desempenho. O que vem por aí?

Prosdocimi Consultoria NBR 15575

Por:Alexandre
NBR 15575

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Feb 2019

Olá, pessoal! Tudo bem?

Desde o dia 14 de setembro de 2018,  foi reativada a comissão de estudo (ABNT/CE-002:136.001) pelo Comitê Brasileiro da Construção Civil para revisão da  ABNT NBR 15575 – a norma de desempenho para edificações habitacionais.

A previsão inicial era de que a nova versão da Norma de Desempenho passasse a vigorar a partir de março de 2019. Porém as discussões envolvem diversas partes interessadas e também outros comitês, que trabalham na revisão de normas prescritivas. Assim, a ABNT NBR 15575 ainda não está disponível para consulta pública.

São esperadas importantes mudanças, identificadas por usuários e demais partes envolvidas a partir da experiência na aplicação da norma e que vêm sendo apresentadas em diversos workshops.

Essas mudanças deverão ocorrer principalmente nos requisitos de desempenho para a segurança contra incêndio, no desempenho térmico, desempenho lumínico e desempenho acústico tanto das vedações verticais quanto nos sistemas de piso. Além disso, questões relacionadas à vida útil de projeto, fundamentais para assegurar a durabilidade das edificações, deverão ser revisadas.

Falando primeiramente sobre a segurança contra incêndio, os critérios de reação ao fogo deverão ser alinhados com a ABNT NBR 16626 – classificação da reação ao fogo de produtos de construção. Também os critérios para pisos onde sejam utilizadas mantas acústicas serão reavaliados, considerando a viabilidade de realização de ensaios ou não.

Deve ocorrer ainda um melhor alinhamento dos critérios de resistência ao fogo da ABNT NBR 15575 com as instruções técnicas do Corpo de Bombeiros, que passam por um processo de unificação. Isto pode permitir a utilização do método de tempo equivalente, permitindo a redução do TRRF global em 30 minutos.

Normas como a ABNT NBR 9077 (saídas de emergência) e ABNT NBR 5628 (método de ensaio de resistência ao fogo) precisam de revisão.

E os critérios de selagem descritos na parte 3 devem ser alterados.

Quanto ao desempenho térmico, discute-se a eficácia do método simplificado (transmitância térmica e capacidade térmica) caso adotado como único método de avaliação de uma edificação.

O uso da simulação computacional para a determinação do desempenho térmico das edificações também têm suas limitações, pois avalia o projeto em relação a dois dias do ano.

Utilizar a metodologia adotada para a etiquetagem energética das edificações, que está sendo revisada, poderá ser um caminho…

A avaliação do risco de condensação, podendo levar a ocorrência de fungos, também deverá ser considerado na revisão da ABNT NBR 15575.

E o zoneamento bioclimático poderá ser revisado, das atuais 8 zonas para um número bem maior!

O método de avaliação do desempenho lumínico natural precisa ser reformulado, para que não penalize projetos, mas também  para assegurar que os projetos sejam melhor trabalhados, visando a garantir que todos os ambientes avaliados atendam aos requisitos normativos.

Quando falamos em desempenho lumínico artificial,  a revisão da ABNT NBR 15575 levará em consideração a substituição da ABNT NBR 5413 pela  ABNT NBR ISO 8995.

Tratando-se do desempenho acústico, os valores requeridos para o isolamento das vedações verticais não deve ser alterado. Mas a possibilidade do próprio construtor ou projetista realizar a classificação de ruído para avaliar o desempenho acústico da fachada e dormitórios deverá ser modificada devido a sua imprecisão.

Deixar mais claro como avaliar o desempenho acústico de vedações verticais compostas de paredes e esquadrias (janelas ou portas)  e como utilizar os dados obtidos em campo e em laboratório é imprescindível.

Outra questão quando falamos do desempenho acústico é a ausência de referência orientada na parte 4 da ABNT NBR 15575 à ISO 12354-3:2017 – building acoustics – estimation of acoustic performance of buildings from the performance of elements – part 3: airbone sound insulation against outdoor sound.

A avaliação do desempenho acústico dos sistemas de piso não pode ser realizada em laboratório, devido à ausência de consideração das ligações do piso com a estrutura e com as vedações verticais. Então, será necessário definir formas de simulações acústicas e como utilizar dados de desempenho obtidos em ensaios realizados em outras obras.

Falando da durabilidade, é previsto que a diferença entre vida útil e garantia seja abordada de forma prática.

Ao prever que o projetista deve declarar a VUP, a norma deve deixar mais clara as limitações desta definição, considerando que esta vida útil depende da boa técnica de execução dos serviços na obra.

Por fim, diversas normas de execução de serviços estão em revisão, como a ABNT NBR 6122 – Fundações. Outras precisam ser revisadas, como a NBR 13753, que entra em contradição com os requisitos para pisos em áreas molháveis descritos na ABNT NBR 15575. E outras mais precisam ser elaboradas.

A ISO 15686 – buildings and constructed assets – service life planing está se tornando uma NBR e vai contribuir para a previsão da vida útil de sistemas.

Vamos acompanhar e aguardar as novidades, que em breve estarão disponíveis para consulta.

Abraços e até o próximo!

Por Alexandre A Prosdocimi

Construtor, consultor e auditor


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